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coleção nova

RUBRICA
Eu queria falar de ausências,
mas como é que fala da ausência
presente?
Ausência latente,
ausência que não é ausente,
ausência que corre, pulsa.
Lateja nervosa
na minha garganta,
aos gritos.
No meu furor maldito.
Vc está aqui.
Doce e bandido.
Tem mais você
do que vazio.
A cólera hereditária,
a fleuma apática,
dorme ao contrário,
pé na cara
pra não se envolver,
depois morre de amores
ao ver o outro morrer.
Os desamores,
os dissabores,
os destemperos.
Coloco a mesa
pra te fartar.
Viro a mesma
pra te matar.
Eu gosto
até você gostar.
Depois, o enfado
de ter que te suportar.
Eu queria falar de presença,
da presença deles em mim,
mas como é que se fala de presença
com tanta ausência?
Tem dois vazios aqui.
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